É triste examinar a vida de uma pessoa e constatar que, mesmo possuindo tantos talentos, e tendo diante de si imensas possibilidades, ela ainda assim foi um fracasso.
Assim, foi a história de Absalão, um jovem com tantas qualidades, a qual dentre elas era ser o filho do rei.
Como príncipe Absalão teve acesso a uma educação que outros jovens do seu tempo não tiveram. O filho do rei podia estudar tranquilamente, não tendo que trabalhar todos os dias, além de se divertir de variadas formas no momento que quisesse.
Absalão provavelmente aprendeu vários idiomas. Ele estudou filosofias diferentes, política, era viajado e conhecedor de outras terras, hábitos, culturas. Ou seja: Ele teve uma chance rara na vida. Literalmente nasceu "em berço esplêndido".
Mas será que oportunidade, boa aparência e sangue azul são ingredientes capazes de tornar a vida de um homem realmente feliz?
Nem sempre, com Absalão foi diferente, ele preferiu dar outro rumo a sua vida. Um jovem com tantas qualidades e virtudes, permitiu que seus defeitos dominassem a sua vida, transformando-o no MONUMENTO DO FRACASSO.
Assim, analisemos alguns sentimentos que fizeram Absalão fracassar como filho, príncipe e homem:
1º ÓDIO (2ºSm. 13.23-29): na história de Absalão há o triste relato que revela toda a maldade do coração do seu coração.
Como Dalila para com Sansão, e como Judas para com Cristo, Absalão tinha um coração cheio de veneno, embora parecesse risonho. Era um demônio disfarçado de anjo, um lobo disfarçado de ovelha.
O ódio de Absalão o transformou em um fratricida: Matou seu irmão (v.29).
Está certo que seu irmão Amnon também não era nenhum modelo de virtudes. Amnon estuprou a própria irmã Tamar.
Mas, será que o erro de Amnon justifica o de Absalão? Absalão queria vingança. Seu lema é fazer justiça com as próprias mãos. Não é assim que se constrói uma sociedade civilizada. A lei e a ordem precisam ser respeitadas.
Está claro que o ódio é de fato o veneno da alma, que lança em trevas o que por ela é dominado e contamina o ambiente.
É por isso, que devemos perdoar. O perdão de Deus é o padrão para o perdão humano. Como Deus perdoa, devemos perdoar.
Sejamos imitadores de Deus, como filhos amados (Ef. 5.1). Demonstremos com nossas atitudes a força do perdão que nos liberta da raiz de amargura trazendo a paz e nos ensinando a amar.
2º. VAIDADE (2ºSm. 14.25,26): a Bíblia diz que ele era muito bonito: "Não havia em todo o Israel homem tão admirável pela sua beleza como Absalão; desde a planta do pé até o alto da cabeça não havia nele defeito algum" (2ºSm. 14.25).
Absalão era um monumento vivo à beleza. Era o que os gregos chamariam de "adônis", um deus belo e atlético, de formas perfeitas.
Sem dúvida o tipo de príncipe com o qual toda moça, principalmente adolescente, vive sonhando e suspirando.
Ele era bonito demais, a descrição de como seus cabelos eram cortados e pesados nos dá a entender a sua vaidade (2ºSm. 14.25). Ele era como Narciso, da mitologia greco-romana (Narciso era um jovem muito belo que um dia se inclinou para beber água. Então, pela primeira vez, viu seu semblante e se apaixonou por si mesmo. Desesperado por não poder se reunir ao objeto da sua paixão ele morre, simplesmente, por idolatrar sua beleza).
Devemos cuidar de nossa aparência, mas não deixar que esse cuidado seja a principal ocupação de nossas vidas.
3º. REBELDIA (2ºSm. 15.1-6): Absalão se rebelou contra o contra o governo do pai, declarou-lhe guerra.
A razão pela qual ele se rebelou era que ele queria ser rei Absalão, sendo príncipe, queria ser o rei imediatamente.
O primogênito de Davi era Amnon (2ºSm. 3.3), mas já estava morto. O segundo filho era Quileabe, do qual nada sabemos. E o 3º filho era Absalão, herdeiro do trono.
Por isso, que Absalão começou a se rebelar. A Bíblia resume esse processo dizendo que "... ele furtava o coração dos homens de Israel" (v.6).
Depois de seu golpe ser ostensivo e aberto, ele partiu para a guerra contra o pai.
Para evitar o confronto, o rei Davi reúne a corte e sai para o deserto, em retirada estratégica.
Absalão entra no palácio. E para provar que não está brincando, violenta as concubinas de seu pai (2ºSm. 16.22), num episódio tristíssimo.
O nome Absalão, em hebraico, significa "o pai da paz". Mas veja que o pai da paz declara guerra ao próprio pai, que foge. Provavelmente o Salmo 3 tenha sido escrito por Davi enquanto fugia do confronto.
Cuidado com a rebeldia, a rebeldia gera a morte. Lembre-se de que para crescer na vida você não precisa ser rebelde ou destruir a autoridade que Deus colocou sobre você.
Enfim, com suas ambições carnais, com suas estratégias maquiavélicas, com sua impaciência de criança mimada, Absalão trouxe divisões no meio de Israel.
A guerra movida contra o pai provocou a morte de "vinte mil homens" (v.7). Por causa de Absalão, muitos filhos ficaram sem pai, muitas mulheres perderam seus maridos, muitas noivas se tornaram viúvas antes mesmo do casamento.
Este é o resultado de uma vida vivida para o pecado. Que tinha tudo para dar certo, mas terminou num monumento do fracasso (v.18).
O monumento de Absalão tem cerca de 15 metros de altura e ainda hoje pode ser visto no Vale do Cedron, em Jerusalém.
Conta-se que os peregrinos, durante a Idade Média, acostumavam apedrejar o monumento como protesto a Absalão, por se ter rebelado contra o rei Davi. Os habitantes de Jerusalém traziam seus filhos desobedientes a esse lugar; e açoitando-os, diziam: ‘Vejam como é que acaba um filho rebelde’.
Que cada um de nós quando partimos desse mundo não sejamos lembrados da mesma forma que Absalão é lembrado. Que Deus nos ajude não fracassarmos!
Rev. Renato Pinheiro
postagem original no blog da Igreja Presbiteriana de Bertioga
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